quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Mestre Vavá - o comandante da esquadra do Fandango do Pontal da Barra

 


Mestre Vavá é uma das grandes referências da cultura popular de Alagoas, guardião e protagonista do Fandango do Pontal da Barra, manifestação tradicional que atravessa gerações e mantém viva a identidade cultural daquela comunidade histórica de Maceió. Seu nome se confunde com a própria trajetória do fandango local, marcado pela força da oralidade, da música, da dança e do espírito coletivo.

À frente do grupo, Mestre Vavá, declarado Patrimônio Vivo de Alagoas, dedica sua vida à preservação de saberes ancestrais, transmitidos de forma prática e afetiva, sobretudo aos mais jovens. No ritmo dos tambores, no canto marcado pela tradição e nos passos que narram histórias do povo do litoral, ele reafirma a importância do fandango como expressão legítima da cultura popular alagoana.

Mais do que um brincante, Mestre Vavá é educador cultural. Seu trabalho ultrapassa o palco e o terreiro, alcançando escolas, projetos comunitários e eventos culturais, onde compartilha conhecimentos, valores e a memória viva do Pontal da Barra. Sua atuação fortalece vínculos comunitários e contribui para que a tradição não se perca diante das transformações do tempo.

Reconhecer Mestre Vavá é reconhecer a resistência cultural de Alagoas. Seu legado simboliza a luta pela valorização dos mestres e mestras da cultura popular, que, mesmo diante das dificuldades, seguem mantendo acesa a chama das manifestações tradicionais. O Fandango do Pontal da Barra, sob sua condução, permanece vivo, pulsante e essencial para a história cultural do estado.

Mestra Marlene do Guerreiro São Pedro Alagoano



Mestra Marlene, nascida Maria Helena, é uma das grandes guardiãs da cultura popular de Alagoas, referência viva do Guerreiro, manifestação tradicional que mistura música, dança, teatro popular e devoção religiosa. À frente do Guerreiro São Pedro Alagoano, Mestra Marlene construiu uma trajetória marcada pela resistência, pela fé e pelo compromisso com a preservação dos saberes transmitidos de geração em geração.

Sua atuação vai muito além da condução do grupo. Mestra Marlene é educadora popular, liderança comunitária e símbolo de força feminina dentro de uma manifestação historicamente desafiadora. Com sensibilidade e firmeza, ela mantém vivos os cânticos, as coreografias, os figurinos ricamente ornamentados e o sentido simbólico do Guerreiro, garantindo que cada apresentação seja também um ato de memória e identidade cultural.


O Guerreiro São Pedro Alagoano, criado pelo saudoso mestre Juvenal Domingos, sob sua liderança, tornou-se um espaço de acolhimento e aprendizado, onde crianças, jovens e adultos têm contato direto com a cultura popular e com valores como respeito, coletividade e pertencimento. Mestra Marlene compreende o folguedo como instrumento de formação humana e social, capaz de fortalecer laços comunitários e despertar o orgulho de ser alagoano.


Em um contexto de constantes desafios para as culturas tradicionais, a trajetória de Mestra Marlene, uma das mais queridas mestras do folclore de Alagoas, representa resistência e esperança. Seu trabalho reafirma a importância de reconhecer, valorizar e apoiar as mestras e mestres da cultura popular, verdadeiros patrimônios vivos. Ao manter o Guerreiro pulsando nos terreiros, praças e palcos de Alagoas, Mestra Marlene segue escrevendo uma história de amor, luta e dedicação à cultura do povo.

Mestra Edleusa e o Grupo da Mocidade

 


Mestra Edleusa é uma das grandes guardiãs da cultura popular de Maceió, com trajetória profundamente ligada ao bairro de Guaxuma e às manifestações tradicionais que mantêm viva a memória, a identidade e o sentimento de pertencimento da comunidade. Reconhecida por sua força, sensibilidade e compromisso com a cultura de base comunitária, Mestra Edleusa construiu ao longo dos anos um trabalho pautado na resistência cultural, na transmissão de saberes e na valorização das expressões populares como instrumento de educação, cidadania e inclusão social.

Em Guaxuma, sua atuação vai muito além do fazer artístico. Mestra Edleusa é referência afetiva e cultural, mobilizando jovens, adultos e idosos em torno das tradições carnavalescas e populares, estimulando o convívio comunitário e fortalecendo os laços sociais. Seu trabalho dialoga diretamente com a história oral, com a alegria do povo e com a preservação de símbolos que atravessam gerações, mantendo viva a essência do brincar, do festejar e do ocupar os espaços públicos com cultura.



Nesse contexto, destaca-se sua dedicação ao Grupo da Mocidade + Boneca Vitalina, uma das mais emblemáticas expressões do carnaval popular de Maceió. A Boneca Vitalina, que comemora 70 anos neste carnaval de 2026, símbolo de alegria, irreverência e tradição, representa não apenas o espírito carnavalesco, mas também a resistência cultural de comunidades que fazem do carnaval um espaço de encontro, memória e celebração coletiva. O grupo, sob a liderança e inspiração de Mestra Edleusa, tornou-se um verdadeiro patrimônio afetivo da cidade.

O Grupo da Mocidade tem papel fundamental na democratização do acesso à cultura, levando não só o carnaval mas também a Pastoril para além dos circuitos tradicionais e promovendo a participação ativa da comunidade. Por meio de cortejos, ensaios, oficinas e apresentações, o grupo contribui para a formação cultural de novas gerações, garantindo a continuidade dessa manifestação popular tão significativa para a identidade maceioense.

Assim, Mestra Edleusa e o Grupo da Mocidade e da Boneca Vitalina representam a força da cultura popular alagoana em sua forma mais genuína: feita pelo povo, para o povo e com o povo. Seu legado reafirma que preservar a cultura é preservar histórias, afetos e modos de existir, mantendo viva a alma cultural de Guaxuma e de toda Maceió.

Mestra Marilene: a força feminina que ilumina o Guerreiro Raio de Sol

 

A Mestra Marilene é uma das grandes referências vivas do Guerreiro alagoano, manifestação popular que mistura música, dança, teatralidade e devoção, profundamente enraizada na identidade cultural do estado. À frente do Guerreiro Raio de Sol, o caçula da Asfopal, com cerca de cinco anos de criado, ela representa a resistência, a sensibilidade e a força feminina na condução de um folguedo historicamente marcado pelo saber dos mestres e mestras da tradição oral.

Com dedicação incansável, Mestra Marilene mantém viva a chama do Guerreiro em sua comunidade, transmitindo conhecimentos que vão desde os cânticos e coreografias até os significados simbólicos das indumentárias, dos personagens e dos enredos. Sua atuação ultrapassa o espetáculo: é também um trabalho educativo, social e afetivo, que fortalece vínculos comunitários e desperta o interesse das novas gerações pela cultura popular.


O Guerreiro Raio de Sol, sob sua liderança, destaca-se pela alegria, pelo colorido e pela organização, levando ao público apresentações marcadas pela fé, pela criatividade e pelo respeito às raízes do folguedo. Cada saída do grupo é também um ato de afirmação cultural, reafirmando a importância do Guerreiro como patrimônio imaterial e expressão legítima do povo alagoano.

Mestra Marilene simboliza a mulher que conduz, ensina e preserva. Sua trajetória é exemplo de resistência cultural em um cenário de desafios, pouca visibilidade e escassez de políticas públicas contínuas. Ainda assim, ela segue firme, mantendo o Guerreiro Raio de Sol ativo, pulsante e iluminando caminhos para que essa tradição siga viva no presente e no futuro.

Valorizar Mestra Marilene é reconhecer a importância dos mestres e mestras da cultura popular como guardiões da memória, da identidade e da diversidade cultural de Alagoas.

Chapéu do Guerreiro: símbolo maior da identidade cultural alagoana

 


No universo das manifestações populares de Alagoas, poucos elementos são tão emblemáticos quanto o chapéu do Guerreiro. Alto, colorido, repleto de espelhos, fitas e ornamentos, ele não é apenas um adereço cênico, mas um verdadeiro símbolo da identidade cultural do estado. Presente no folguedo Guerreiro, manifestação típica do ciclo natalino alagoano, o chapéu concentra séculos de história e revela o encontro entre diferentes matrizes culturais que formam o povo brasileiro.

A origem do chapéu do Guerreiro remonta às tradições ibéricas trazidas pelos portugueses, especialmente aos autos natalinos, festas de reis e cavalhadas. O formato imponente e o uso de elementos como coroas, estrelas e espadas fazem referência à realeza cristã e às narrativas simbólicas de batalhas entre o bem e o mal, comuns nos festejos medievais europeus. Essas referências foram ressignificadas no Brasil, ganhando novos sentidos no contexto popular nordestino.

A influência africana é perceptível no excesso visual e no caráter simbólico dos ornamentos. Espelhos, miçangas e fitas coloridas cumprem funções que vão além da estética: representam proteção espiritual, força e vitalidade. Para muitos brincantes, o brilho do chapéu não serve apenas para chamar a atenção do público, mas também para afastar energias negativas, reafirmando a dimensão sagrada presente no folguedo.

Já a matriz indígena se manifesta no uso de penas, flores e na composição circular do chapéu, que remete a cocares e adereços cerimoniais. Essa influência reforça a ligação com a natureza e com a coletividade, aspectos fundamentais das culturas originárias e também das manifestações populares que se mantêm vivas nas comunidades.

Com o passar do tempo, o chapéu do Guerreiro ultrapassou a função de simples indumentária e se consolidou como obra de arte popular. Cada grupo imprime sua identidade na confecção, muitas vezes feita de forma artesanal, transmitindo técnicas e saberes de geração em geração. Em Alagoas, o chapéu do Guerreiro é, hoje, um patrimônio simbólico que expressa resistência cultural, memória coletiva e o orgulho de um povo que transforma tradição em espetáculo de cores, fé e beleza.

Ivan Barsand – Do canto coral a guardião da Cultura Popular Alagoana

  

Ivan Barsand de Leucas é um dos mais atuantes dirigentes culturais de Alagoas, atualmente exercendo seu segundo mandato como presidente da Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (ASFOPAL), entidade referência na defesa, promoção e preservação das tradições populares do estado. Ele lidera a ASFOPAL com dedicação e visão estratégica, sempre voltado para fortalecer a identidade cultural e garantir o reconhecimento dos folguedos, danças, brincadeiras e saberes que representam o patrimônio imaterial alagoano. 

Com longa trajetória de engajamento na cultura, Barsand também foi Presidente da Federação Alagoana de Coros, onde contribuiu significativamente para a organização e desenvolvimento das práticas corais no estado durante muitos anos. Além disso, ele é dirigente do Coro Embracanto, grupo coral que valoriza repertórios ligados à música regional e à tradição popular — um papel que reforça sua profunda ligação com as expressões artísticas e comunitárias. 

Naturalmente um apaixonado pela música e pelo canto, Ivan começou sua trajetória cultural ainda jovem, integrando grupos corais e aprofundando sua relação com manifestações artísticas coletivas. Ao chegar em Alagoas, há mais de três décadas, ele aproximou-se dos mestres da cultura popular local e tornou-se amigo de personalidades fundamentais, como Ranilson França, referência no estudo e na promoção do folclore alagoano. 

À frente da ASFOPAL, Barsand tem guiado a associação em iniciativas importantes, como a produção e divulgação de guias de manifestações culturais, projetos de difusão nas escolas e a participação em festivais que aproximam as tradições populares do público jovem e da sociedade em geral. Ele acredita que a preservação cultural passa por educação, participação social e visibilidade, e por isso tem buscado parcerias com instituições públicas e privadas para ampliar o alcance das ações da entidade. 

Além de sua atuação institucional, Ivan conduz o programa “Balançando o Ganzá” — espaço tradicional de rádio voltado à cultura popular alagoana — que se tornou referência na difusão dos folguedos, ritmos e saberes tradicionais do estado, conectando gerações e fortalecendo a memória cultural. 

Reconhecido por sua persistência e amor às tradições, Ivan Barsand se destaca como um protagonista na luta pela valorização cultural, trabalhando para que as raízes populares de Alagoas sejam não apenas lembradas, mas vividas, compartilhadas e passadas adiante. Hoje, sua liderança representa o compromisso com a cultura viva, plural e inventiva do povo alagoano. 

Mestra Iraci do Guerreiro Alagoano



A cultura popular de Alagoas é feita de continuidade, resistência e herança familiar. Nesse cenário, destaca-se a trajetória da Mestra Iraci Bonfim, legítima representante do tradicional Guerreiro alagoano e herdeira de uma das mais importantes linhagens dessa manifestação: filha do Mestre Nivaldo Abdias e da Mestra Creuza Bonfim, referências do histórico Guerreiro Campeão do Trenado.

Desde cedo, Iraci cresceu entre ensaios, figurinos bordados, chapéus espelhados e a musicalidade vibrante do Guerreiro — manifestação típica do ciclo natalino nordestino que mistura teatro, dança, música e religiosidade popular. O Guerreiro é uma expressão genuinamente alagoana, marcada pelo brilho das indumentárias, pela riqueza simbólica de seus personagens e pelo diálogo entre tradição e criatividade.




Filha de dois mestres respeitados, Iraci não apenas herdou o conhecimento, mas assumiu a responsabilidade de manter viva a chama do Guerreiro Campeão do Trenado. Sua atuação como Mestra vai além da condução das apresentações: envolve preservação dos saberes tradicionais, organização do grupo e resistência diante das dificuldades enfrentadas pela cultura popular.

A trajetória de Iraci Bonfim simboliza a força das mulheres na cultura popular alagoana. Em um universo historicamente marcado por lideranças masculinas, ela reafirma o protagonismo feminino, conduzindo o Guerreiro com firmeza, sensibilidade e compromisso com a memória de seus pais e antepassados.

Manter um Guerreiro ativo em Alagoas é um ato de coragem cultural. Exige dedicação, articulação comunitária e, sobretudo, amor à tradição. Mestra Iraci representa essa continuidade — um elo entre passado, presente e futuro do Guerreiro alagoano.

Sua história é também a história da resistência da cultura popular de Alagoas: feita de família, de comunidade e de fé na força da tradição.