terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Guerreiro - O folguedo de Alagoas

 

Falar do Guerreiro é falar da alma festiva e resistente de Alagoas. Entre tantos folguedos que compõem a riqueza cultural do Estado — como o Pastoril, o Coco de Roda, o Fandango e o Reisado — é o Guerreiro que se destaca como o mais característico e identitário do povo alagoano.

Por que o Guerreiro é o folguedo mais característico de Alagoas?

O Guerreiro nasceu em Alagoas a partir do encontro do Reisado com elementos dos Caboclinhos,  incorporando influências indígenas, africanas e europeias. Essa mistura deu origem a um espetáculo único, vibrante, marcado por:

Chapéus exuberantes e ricamente ornamentados com espelhos, fitas e lantejoulas;

Coreografias marcadas e evoluções coletivas;

Cânticos que narram batalhas simbólicas, histórias religiosas e episódios do cotidiano;

Personagens variados, que misturam o sagrado, o profano e o popular.


Nicole e sua avó Marlene, do Guerreiro São Pedro Alagoano 


Saudoso Mestre Lourenço, do Guerreiro São Pedro Alagoano 

Enquanto o Reisado é comum em vários estados do Nordeste, o Guerreiro ganhou identidade própria em Alagoas, tornando-se símbolo cultural reconhecido nacionalmente. Sua força é tamanha que, ao se falar em cultura popular alagoana, a imagem do chapéu espelhado do Guerreiro é uma das primeiras referências visuais.

Importância cultural e social

O Guerreiro vai muito além de um espetáculo. Ele representa:

Resistência cultural das camadas populares;

Transmissão de saberes tradicionais de geração em geração;

Afirmação da identidade alagoana;

Organização comunitária, já que os grupos funcionam como verdadeiras escolas culturais;

Impacto econômico, especialmente no ciclo natalino e em eventos culturais.

Em muitos bairros e comunidades de Maceió e do interior, o Guerreiro é instrumento de inclusão social, formação artística e fortalecimento da autoestima coletiva.


A luta de espadas. Aqui Luciene e Mestre Peitika, 
do Guerreiro São Pedro Alagoano 


Guerreiro Raio do Sol

Guerreiro Treme-Terra de Alagoas, de Mestre Peitika


Mestras Marilene, do Guerreiro Raio do Sol e Iraci Bonfim, do Guerreiro Campeão do Trenado


Guerreiro Treme-Terra de Alagoas e Guerreiro São Pedro Alagoano 

Principais personagens do Guerreiro

O folguedo é composto por uma rica galeria de personagens, cada um com função simbólica e teatral:

O Mestre – líder do grupo, responsável pelos cantos e pela condução da apresentação;

Contramestre – auxilia na organização e responde aos versos;

Rei e Rainha – representam a nobreza simbólica;

Mateu – personagem cômico, irreverente e provocador;

Palhaço – reforça o humor e a interação com o público;

Índia e Caboclos – representam a ancestralidade indígena;

Soldados e Guerreiros – dão nome ao folguedo, simbolizando batalhas e resistência;

Estrela e figuras místicas – elementos herdados das tradições natalinas.

Essa diversidade faz do Guerreiro um verdadeiro teatro popular a céu aberto.

Cada mestre e mestra representa uma linhagem de conhecimento, mantendo viva a tradição através do ensino oral, dos ensaios comunitários e das apresentações públicas.


Luciene, do Guerreiro São Pedro Alagoano 



Guerreiro Campeão do Trenado - Salete Bonfim


Guerreiro Raio do Sol




Mestre Peitika

O Guerreiro como símbolo identitário

O Guerreiro é mais que folguedo: é espetáculo, é ritual, é memória viva. Ele sintetiza o espírito criativo do povo alagoano — festivo, resistente e profundamente ligado às suas raízes.

Se Alagoas pudesse ser representada por uma imagem cultural, certamente seria o brilho dos espelhos do chapéu do Guerreiro refletindo o sol do Nordeste, mostrando que tradição e identidade caminham juntas.

O Guerreiro é resultado de um processo de formação cultural profundamente híbrido. Embora tenha forte base no Reisado e no Pastoril, sua identidade visual, coreográfica e simbólica também carrega marcante influência dos Caboclinhos, folguedo de matriz indígena presente em várias regiões do Nordeste.

A influência dos Caboclinhos na formação do Guerreiro

Os Caboclinhos representam, tradicionalmente, encenações de batalhas simbólicas entre povos indígenas, com forte presença de:

Cocares e indumentárias com penas e elementos naturais;

Arcos, flechas e lanças;

Evoluções coreográficas em filas e semicírculos;

Marcação rítmica intensa;


Mestra Marlene - Guerreiro São Pedro Alagoano 



Referências à ancestralidade indígena.

No Guerreiro alagoano, essa influência aparece especialmente:

Nos personagens indígenas e caboclos incorporados ao enredo;

No espírito guerreiro das apresentações;

Na estrutura de enfrentamento simbólico entre grupos;

No colorido vibrante e na estética marcial;

Na musicalidade cadenciada que lembra as marcações coreográficas indígenas.

O próprio nome “Guerreiro” reforça essa herança simbólica. Diferente do Reisado tradicional, mais centrado na narrativa natalina, o Guerreiro assume uma postura mais performática e combativa, aproximando-se da teatralidade e da força simbólica dos Caboclinhos.

Essa fusão — Reisado e Caboclinhos — consolidou um folguedo singularmente alagoano, com identidade própria e reconhecível.

O reconhecimento como Patrimônio Imaterial de Alagoas

Pela sua relevância histórica, social e cultural, o Guerreiro foi declarado Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Alagoas por meio da Lei Estadual nº 7.669, de 2014.

Esse reconhecimento oficial representou:

A valorização institucional do folguedo;

A garantia de políticas públicas de preservação;

O fortalecimento da identidade cultural alagoana;

O reconhecimento do trabalho de mestres e mestras guardiões da tradição.

A declaração como Patrimônio Imaterial não foi apenas um ato simbólico — foi resultado de décadas de resistência cultural dos grupos e da mobilização de pesquisadores, produtores e lideranças da cultura popular.

Vários mestres e mestras foram fundamentais para manter viva essa expressão cultural, transmitindo saberes oralmente e formando novas gerações de brincantes, como Mestra Joana Gajuru, Mestre Venâncio, Mestre Benon, Mestre Djalma, Verdelinho, Juvenal Leonardo, Juvenal Domingos, Mestre Lourenço, Anadeje, Maria Flor, Mestre Nivaldo Abdias, Mestra Vitória, Mestre Pedro Lavandeira, dentre tantos outros.


Símbolo maior da identidade alagoana

O Guerreiro se tornou o folguedo mais característico de Alagoas justamente por essa capacidade de síntese cultural. Ele reúne:

Tradição religiosa (Reisado),

Dramaticidade coreográfica (Pastoril),

Força indígena (Caboclinhos),

Criatividade popular urbana.

É espetáculo, é ritual, é resistência e é afirmação identitária.

Reconhecer oficialmente o Guerreiro é também reconhecer que a cultura popular não é folclore congelado — é patrimônio vivo, pulsante e estruturante da economia criativa e da autoestima do povo alagoano. 

Asfopal - 40 anos em defesa e pela promoção da cultura popular alagoana

 


A Asfopal – Associação dos Folguedos Populares de Alagoas completou, ao fim de 2025, 40 anos de atividades ininterruptas dedicadas à valorização, salvaguarda e fortalecimento da cultura popular alagoana. Quatro décadas podem ser medidas em números, atas e registros oficiais, mas a verdadeira dimensão dessa trajetória está nos palcos improvisados das praças, nos cortejos coloridos, nos figurinos bordados à mão e, sobretudo, na resistência de mestres e mestras que encontraram na entidade um ponto de apoio e articulação.

Fundada em meados dos anos 1980, período em que muitos grupos tradicionais enfrentavam invisibilidade institucional e escassez de recursos, a Asfopal surgiu como um espaço de organização coletiva dos folguedos populares. Ao reunir expressões como Guerreiro, Pastoril, Baianas, Coco de Roda, Fandango, Reisado e tantas outras manifestações, a associação consolidou-se como uma ponte entre tradição e políticas públicas.

Ao longo desses 40 anos, a entidade desempenhou papel decisivo na interlocução com o poder público, na luta por editais, cachês dignos, reconhecimento patrimonial e inserção dos grupos em programações culturais oficiais. Mais do que representar coletivamente os folguedos, a Asfopal ajudou a reafirmar a cultura popular como patrimônio vivo, fonte de identidade, geração de renda e formação cidadã.

Sua importância não se limita à promoção de apresentações. A associação também atua como guardiã de memórias, articuladora de redes e espaço de formação política e cultural. Em um cenário onde as tradições populares muitas vezes são tratadas como folclore estático, a Asfopal contribui para afirmar que esses saberes são dinâmicos, contemporâneos e fundamentais para compreender Alagoas.


Celebrar os 40 anos da Asfopal é reconhecer a força da organização coletiva na preservação das raízes culturais do estado. É homenagear cada brincante, cada costureira de figurino, cada músico, cada mestre e mestra que manteve acesa a chama da tradição mesmo diante das dificuldades.

Em tempos de novos desafios e transformações nas políticas culturais, a trajetória da Asfopal reafirma uma verdade essencial: sem organização, a cultura popular enfraquece; com união, ela floresce e se projeta para o futuro.

Quatro décadas depois, a associação segue não apenas como entidade representativa, mas como símbolo de resistência, identidade e orgulho do povo alagoano.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Asfopal festeja seus 40 anos com apresentações no Mercado das Artes 31



No dia em que completou 40 anos de fundada, a Associação dos Folguedos Populares de Alagoas (ASFOPAL) comemorou com seus associados, amigos, parceiros e público em geral com apresentações de grupos neste sábado (27), no Mercado 31, em Jaraguá. 

Se apresentaram na tarde deste sábado: 

Pastoril da Mocidade, as Baianas Ganga Zumba, e o Guerreiro São Pedro Alagoano.






Em seguida a Asfopal foi celebrada com os "parabéns" seguidos de bolo e comes e bebes para os associados e presentes, como explica Ivan Barsand, Presidente da entidade: "Não poderíamos celebrar estes 40 anos de uma melhor forma, que é no meio de quem nos valoriza e reconhece o trabalho desta associação, criada por Ranilson França, pois chegarmos aos 40 anos não é brincadeira... mas estamos muito felizes com nossos grupos e mestres, defensores e melhores representantes da nossa cultura popular", conclui, Barsand.





A Asfopal foi criada com este objetivo de promover, defender e divulgar nossa cultura popular, custe o que custar e durante este tempo testemunhamos o talento de mestres, mestras, brincantes... amigos, gestores públicos, parceiros ou não, e a Asfopal continua com seu legado, que é muito mais importante que o individualismo... pois a Asfopal é um coletivo e sua força está justamente nisso, no trabalho sério, sem egocentrismo, mas com muita humildade no trabalho e na cultura... pois todos passam e a cultura continua se desenvolvendo. Vida longa à Asfopal e à toda cultura popular de Alagoas!!








Keyler Simões 

Diretor de Comunicação da Asfopal

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Asfopal faz confraternização nos seus 40 anos

 


Como parte das comemorações dos seus 40 anos, completafos neste sábado 27 de dezembro, a mais longeva entidade de cultura popular de Alagoas, a ASFOPAL - Associação dos Folguedos Populares de Alagoas promoveu um pequeno almoço de confraternização nesta sexta (26), reunindo parte de seus associados num restaurante em Massagueira (Marechal Deodoro).

Estiveram presentes representantes da diretoria, como o presidente Ivan Barsand, Diretor de Patrimônio Jorgeval Lisboa (Vavá), diretora Márcia Cristina e o Diretor de Comunicação, Keyler Simões, além de representantes dos grupos:


Baianas Mensageiras de Santa Luzia 
João da Boneca
Guerreiro São Pedro Alagoano 
Grupo Ganga Zumba 
Fandango do Pontal 
Zeza do Coco 
Baianas Flor do Bairro
Baianas da Mocidade
Grupo Axé Zumbi
Guerreiro Treme-Terra 
Pastoril Coração Alagoano
Coco São Marcos
Grupo Pedro Teixeira
E as Marisqueiras da Peneira.




A Asfopal foi criada em 1985, pelo sempre saudoso, professor Ranilson França, com o objetivo de dar visibilidade aos grupos e mestres da autêntica cultura popular alagoana. "Esse legado que carregamos, de Ranilson, é o que nos faz seguir em frente, apesar de todas as dificuldades a Asfopal segue firme com seus mestres, mestras e brincantes, num mundo cada vez mais tecnológico, mas com a alma popular de sempre", declarou o atual Presidente da entidade, Ivan Barsand.







Keyler Simões 
Diretor de Comunicação 

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Pontão de Cultura Asfopal promove capacitação em Cultura Viva em Alagoas

  


O Pontão de Cultura Asfopal iniciou nesta terça, 25, a oficina de capacitação: "Cultura Viva Alagoas - Tecendo Redes e Fortalecendo identidades", ministrada pela Produtora e gestora Cultural Whytna Cavalcante, com o objetivo de orientar a mestres, artistas e pontos de cultura de Alagoas, nesta política cultural que foi implantação no país com o objetivo de possibilitar o acesso aos recursos públicos federais, diretamente do Governo Federal para implementação nos Estados e municípios e executados pela própria comunidade.


A oficina acontecerá até a próxima quinta, 27, no Teatro de Arena Sérgio Cardoso, anexo ao Teatro Deodoro e marca o início das ações do Pontão de Cultura da mais antiga entidade de cultura popular de Alagoas, a ASFOPAL.