Desde cedo, Iraci cresceu entre ensaios, figurinos bordados, chapéus espelhados e a musicalidade vibrante do Guerreiro — manifestação típica do ciclo natalino nordestino que mistura teatro, dança, música e religiosidade popular. O Guerreiro é uma expressão genuinamente alagoana, marcada pelo brilho das indumentárias, pela riqueza simbólica de seus personagens e pelo diálogo entre tradição e criatividade.
Filha de dois mestres respeitados, Iraci não apenas herdou o conhecimento, mas assumiu a responsabilidade de manter viva a chama do Guerreiro Campeão do Trenado. Sua atuação como Mestra vai além da condução das apresentações: envolve preservação dos saberes tradicionais, organização do grupo e resistência diante das dificuldades enfrentadas pela cultura popular.
A trajetória de Iraci Bonfim simboliza a força das mulheres na cultura popular alagoana. Em um universo historicamente marcado por lideranças masculinas, ela reafirma o protagonismo feminino, conduzindo o Guerreiro com firmeza, sensibilidade e compromisso com a memória de seus pais e antepassados.
Manter um Guerreiro ativo em Alagoas é um ato de coragem cultural. Exige dedicação, articulação comunitária e, sobretudo, amor à tradição. Mestra Iraci representa essa continuidade — um elo entre passado, presente e futuro do Guerreiro alagoano.
Sua história é também a história da resistência da cultura popular de Alagoas: feita de família, de comunidade e de fé na força da tradição.


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